Em entrevista a Bob Fernandes, do Terra Magazine, o cineasta Sílvio Tendler declara que assistiu à conversa de Lula, em 1994, sobre o menino do MEP e que “só um débil mental não viu que era uma piada”.
Filed under: Mídia, Política | Leave a Comment
Tags: Lula, Menino do MEP, Sílvio Tendler, Terra Magazine
Independente do que aconteceu ou deixou de acontecer na cela em que o atual presidente da República ficou preso por 31 dias, durante a ditadura militar, quando ainda era um líder dos metalúrgicos do ABC, e independente das razões que levaram o cientista político e ex-fundador do PT, Cesar Benjamin, a acusá-lo, em 2009, de haver tentado estuprar um companheiro de cela em 1980, (sendo que ele declarou ter conhecimento do suposto crime em 1994) chama a atenção a irresponsabilidade da Folha de São Paulo de lançar uma acusação desse porte contra a principal autoridade do País em meio a um artigo de um colunista, como se fosse uma informação qualquer.
Já surgiram vozes afirmando que cabe agora ao presidente se defender na justiça, pois o seu eventual silêncio apontaria para uma confissão de culpa. Não foi esse o padrão de jornalismo que eu captei na leitura do Manual de Redação da Folha de S.Paulo, que, em tese, exige dos seus repórteres objetividade, isenção e o maior número de pontos de vista possível sobre um assunto.
Tudo bem, não era uma reportagem, mas um artigo assinado. Mas a decisão de publicar uma acusação de estupro (naquele tempo seria abuso sexual copular, pois até a recente mudança da legislação homens não eram estuprados) cabe ao jornal, que já rejeitou contribuições de articulistas por linguagem supostamente chula. E agora publica um palavrão. por algum motivo, a Folha está “estuprando” a sua história no jornalismo.
Filed under: Mídia, Política | 2 Comments
Tags: Cesar Benjamin, estupro, Folha de S.Paulo, Lula, Menino do MEP
Embora não esteja procurando emprego neste momento, resolvi checar a quantas anda a minha facilidade de inserção no mercado de trabalho. O chamariz foi uma matéria produzida pela Agência Estado e distribuída para todo o País sobre um serviço oferecido pelo Estado de São Paul0, não o jornal, mas a Unidade da Federação.
Trata-se do Termômetro do Emprego.
Lançado nesta terça, 17, o site calcula as chances de um cidadão conseguir uma vaga na capital paulista, no Rio de Janeiro, em Salvador, Belo Horizonte, Recife e em Porto Alegre. Para calcular a sua empregabilidade, basta preencher dados sobre formação escolar, idade, expectativa de remuneração e…raça/cor. Achei curiosa a inserção deste dado e parti para a simulação. Com os demais dados idênticos, o sistema apontou duas médias salariais. A maior, para brancos e amarelos, e a menor para negros, pardos e indígenas. Tudo bem, a culpa não é do site, que se dispõe a prestar um serviço quanto à empregabilidade do cidadão. Mas o fato de que a informação sobre raça/cor seja legitimada em um site oficial do Governo do Estado de São Paulo, o mais rico e desenvolvido do Brasil, como fator de diminuição da expectativa de remuneração causa uma sensação de que o racismo foi aceito pelo Estado como parte do processo de seleção e recrutamento no mercado de trabalho. Aliás, no formulário do site só faltou perguntar se a pessoa aceita fazer trabalho escravo. Chegou perto, pois um dos dados levaddos em conta é se o candidato aceita trabalhar 60 horas por semana.
Filed under: Sociedade | Leave a Comment
Tags: estado, racismo, são paulo, termômetro do emprego
A maioria das afirmações contundentes feitas por Caetano Veloso em suas entrevistas tem o objetivo básico de gerar uma polêmica tola e lançar luzes sobre o seu ego. Como a sua insistência em desmerecer a obra de Woody Allen, mesmo quando está se dirigindo a um obscuro meio de comunicação de uma cidade do interior.Ele sabe que o assunto vai reverberar e, nas metrópoles, alguém vai mencionar o seu nome. Quem tem amigos leoninos sabe como isso funciona.
Mas as declarações que o compositor, cantor e, agora, analista econômico fez a Sonia Racy do Estado de São Paulo são reveladoras e mostram que a verborragia de Caeatano vai além da necessidade de aparecer. Falam sobre o cinismo de um artista que, outra vez incitado por um meio de comunicação, se arvora a emitir opinião sobre tudo, mesmo sob o risco de cair no ridículo.
Nem vale a pena se ater à qualificação do presidente da República como analfabeto e grosseiro. Nisso, Caetano apenas dá prosseguimento à compulsão por “colocar uma melancia no pescoço”, como se diz no interior da Bahia.
O mais revelador da entrevista é que, após se atrever a fazer análises (rasteiras e equivocadas) sobre os efeitos da política econômica do governo brasileiro, como se fosse o próprio Paul Krugmann, “o gato come” a língua de Caetano quando a repórter questiona os incentivos a artistas pela Lei Rouanet. Ele diz que não entende desses assuntos, que é como “uma daquelas moças”.
Filed under: Mídia, Política, Sociedade | 1 Comment
Tags: Caetano Veloso, Lula
Aécio entre tapas e beijos
Domingo é dia de futebol e nem tanto de política. Mas o cruzeirense Aécio Neves, que disputa a indicação do seu partido para a candidatura à presdência em 2010, virou notícia hoje por uma agressão que teria feito a sua namorada no fim de semana passado, durante um evento no Rio de Janeiro.
Curiosamente, a história foi publicada, com atraso de uma semana, pelo blog de Juca Kfouri, que serviu como preliminar da rodada deste domingo uma nota chamada “A Covardia de Aécio Neves”, postada pouco depois do meio-dia. Para aproximar a notícia do universo esportivo, Kfouri, que tem ligações com os tucanos de São Paulo, lembrou a pretensão de Aécio de que a partida inaugural da Copa de 2014 seja no Mineirão e não no Morumbi. O segundo ponto de confronto entre Aécio e o outro postulante tucano à presidência, o governador de São Paulo, José Serra.
Às 15h18, o blog de Juca publicou um comunicado, informando que o governo mineiro desqualificou a nota, considerando-a mentirosa e caluniosa. O blog manteve o post. Três minutos depois, o IG estampava em sua home fotos de Aécio em clima de romance com a namorada em uma praia de Florianópolis. Ontem. O que mostra que, por algum motivo, os veículos online estão com problemas de atualização.
Filed under: Mídia, Política, Sociedade, Sucessão de Lula | Leave a Comment
Tags: Aécio Neves, José Serra, Juca Kfouri
Em uma conversa sobre a sucessão presidencial no Brasil, um amigo chamou a atenção para a possbilidade do ex-ministro Antonio Palocci ser o candidato petista ao Planalto em 2010, caso Dilma Rousseff não decole. Por que não? Desde que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci tem figurado como possível nome do partido ao governo de São Paulo. Mas porque ele concorreria à sucessão de José Serra se Lula pediu ao ex-ministro Ciro Gomes que mude seu título para São Paulo e concorra ao governo?
Se o lulismo sonha em ter uma candidatura única no plano federal, mesmo com os altos índices de popularidade do presidente, não parece que seria uma ideia muito boa ter dois candidatos em São Paulo, estado que concentra a maior resistência a Lula e que é governado há 15 anos pelo PSDB. A lógica é ter ou Ciro ou Palocci enfrentando o candidato tucano que, a depender do andar da carruagem, pode ser o próprio Serra.
Aliás, não fosse a dualidade entre o PT e o PSDB em São Paulo,uma aproximação entre esses dois partidos, sonhada por alguns integrantes de parte a parte, poderia começar já nesta eleição. Lula já manifestou a sua satisfação com o fato de não haver nenhum “candidato de direita” no páreo para a sua sucessão. Mas obviamente quer eleger a sua candidata (eventualmente pode ser um candidato).
Entre os tucanos, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que também postula ser o candidato de seu partido, não teria nenhum constrangimento em compor com o PT, como fez na última eleição para a prefeitura de Belo Horizonte. Mas sabe que no ano que vem o clima entre as duas legendas ainda vai estar pesado no plano nacional. Ele já expressou o seu desejo de uma aproximação futura.
Aproximação que pode chegar mais cedo ou mais tarde a depender de quem ocupe a presidência nos próximos quatro anos. Uma eventual vitória de Serra pode alimentar o acirramento dos ânimos entre tucanos e petistas. Em compensação, a eleição de Aécio, pelo PSDB, poderia abreviar a separação entre os dois partidos que, em tese, têm mais afinidades do que diferenças.
No PT, o nome de Palocci teria grandes possibilidades de , caso eleito, manter uma convivência civilizada com a base tucana, deixando para o Democratas o papel de exercer uma oposição hostil. O ex-ministro, que é um médico paulista com sobrenome italiano, e não um imigrante nordestino com baixa escolaridade, também poderia contar com uma melhor aceitação dos barões de São Paulo, inclusive os da mídia.
Filed under: Política, Sucessão de Lula | Leave a Comment
Tags: Aécio, Dilma, Lula, Palocci, Serra
Em Brasília, na maioria dos estados e nos grandes municípios brasileiros, os órgãos dos poderes executivo, legislativo e judiciário são um dos principais empregadores de jornalistas. Não seria leviano afirmar que, em muitas praças, há mais profissionais de comunicação social a serviço de políticos, juízes, desembargadores e funcionários públicos de menor patente do que em redações de jornal, TV, rádio e internet.
A questão é: porque a sociedade deve pagar o salário desses trabalhadores se eles não fazem jornalismo público? Pelo País afora, um exército de profissionais de texto, imagem e áudio dedicam o seu dia a captar e divulgar informações que interessam ao servidor público que os contratou, mas não ao conjunto da sociedade.
Nem estão incluídos nesta lista os profissionais dotados na Agência Brasil que, em tese, gozam de maior indepedência editorial do que as assessorias de imprensa. Trata-se explicitamente do batalhão de jornalistas diretamente a serviço de órgãos públicos. O Diário Oficial, cuja existência não se discute, geralmente é produzido pela assessoria principal de cada um dos Três Poderes.
Um governo estadual, por exemplo, conta normalmente com uma equipe de repórteres, redatores e fotógrafos para cobrir, diretamente, a agenda do governador. Em escala menor, a redação oficial se reproduz em cada secretaria de Estado ou autarquia, com a produção de inúmeras publicações impressas, programas de rádio e TV. É preciso dizer que muitas vezes esse material é enviado aos meios de comunicação que os veiculam sem cerimônia, como se fosse produção editorial própria.
Para que servem as assessorias? É necessário produzir uma matéria a cada trecho de estrada recuperado ou hospital inaugurado, sendo que essas obras devem ser divulgadas também através de publicidade? Seriam um antídoto para as coberturas venenosas feitas pelos meios que fazem oposição aberta a um governo? Pouco provável: os jornais distribuídos gratuitamente pelos governos não costumam ter repercussão além dos círculos de jornalistas e publicitários. Criar jornalões e emissoras de TV e rádio para competir no mercado? Esse foi o caminho adotado na Bolívia e na Venezuela, onde os presidentes Evo Morales e Hugo Chávez, respectivamente. O problema é que, justa ou injustamente, o material produzido não é levado a sério por uma parcela significativa da população.
Porque não investir, então, em jornalismo público de verdade? A BBC, veterana emissora britânica, goza de uma credibilidade invejável e é um modelo a ser seguido. Hoje, dia 13 de setembro de 2009, o site da emissora foi o sétimo mais acessado no Reino Unido, segundo o www.alexa.com Um resultado bem melhor do que o obtido pelo conceituado The Guardian, cujo site apareceu em décimo nono lugar.
A credibilidade da BBC deriva diretamente do fato de que os seus profissionais não são antigos colegas de faculdade do político que está no poder. São jornalistas de carreira que têm ampla independência editorial e, por isso, são mais respeitados do que quem escreve, por exemplo, para veículos de comunicação ligados aos grandes grupos.
A diferença é que a verba que mantém a BBC não é estipulada pelo governo. Os contribuintes britânicos pagam anualmente uma taxa que vai diretamente para os cofres da empresa, sem possibilidade de ser cortada ou desviada pelo Poder Executivo. Mais uma taxa em um país cheio de impostos? Talvez seja melhor do que pagar involuntariamente os salários de quem escreve o que o governador quer que seja publicado. Talvez as assessorias devam continuar existindo, mas uma empresa de jornalismo público seria mais útil à sociedade.
Filed under: Mídia, Política, Sociedade | Leave a Comment
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil Brasília
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales assinarão neste sábado (22) acordo bilateral que prevê o investimento brasileiro de US$ 332 milhões para a construção de uma rodovia entre as cidades bolivianas de Villa Tunari e San Ignacio de Moxos. A rodovia será contruída por uma empresa brasileira e terá 306 quilômetros, ligando os vales de Cochabamba e a Amazônia boliviana. A contrapartida da Bolívia será de US$ 80 milhões para a construção da obra. No futuro, a estrada também terá ligação com corredor interoceânico, cuja construção está prevista em um acordo assinado em dezembro de 2007, entre Lula, Morales e a presidente do Chile, Michelle Bachelet. A previsão é de que o corredor se estenda entre os portos de Santos e Iquique, no Chile, passando pela Bolívia.
Filed under: Uncategorized | Leave a Comment
Em artigo publicado na edição de hoje do jornal Página 12, o articulista Horacio Verbitsky afirma que uma eventual chegada de José Serra à presidência, em 2010, significaria, além de uma guinada à direita no Brasil, uma preocupação a mais para a combalida indústria argentina. Ao analisar a relação entre os dois vizinhos sob a presidência de Lula, o jornalista declara que nunca houve um governante brasileiro tão disposto a sacrificar ganhos em alguns setores econômicos, em nome da integração regional.
“Esses interesses (da indústria paulista), que questionam o presidente por ser pró-argentino, são representados por José Serra”, afirma o texto, que segue. “Ninguém entende melhor do que Lula que uma harmonía com uma Argentina mais forte é um ativo que o Brasil capitaliza em sua projeção no cenário mundial”. Com base nas eleições no Brasil, Chile e Uruguai, que abrem a possibilidade para governos mais à direita nesses países, o artigo especula como seria o fim de mandato de Cristina Kirchner. A presidente argentina, argumenta o jornalista, se veria em meio a uma polarização na América do Sul entre Chávez e os seus aliados bolivarianos, e os novos mandatários, mais conservadores.
Filed under: Mídia, Relações Exteriores, Sucessão de Lula | Leave a Comment
Caso seja confirmada, a indicação de Thomas Shannon para o cargo de embaixador no Brasil será uma prova a mais da crescente importância que a diplomacia estadunidense dá ao País. Desde 2005, Shannon trabalha na Secretaria de Estado, como encarregado dos Assuntos do Hemisfério Ocidental, e é um dos mais respeitados e experientes nomes da relações exteriores dos Estados Unidos.
Esta semana, Shannon esteve em La Paz para conversar com o presidente boliviano, Evo Morales, para tratar da melhoria das relações entre os dois países. Questionado pelo repórter Carlos Valdez, da Associated Press, Shannon disse que não comentaria o assunto, dizendo que a decisão é do presidente Barack Obama e que, por enquanto, a Casa Branca não anunciou o seu nome.
Ele já trabalhou na Embaixada em Brasília entre 1989 e 1992 como assistente do embaixador.
Filed under: Do outro lado da fronteira, Relações Exteriores | Leave a Comment
Tags: Thomas Shannon
Entradas recentes
- Menino do MEP 2 “só um débil mental não viu que era uma piada”
- Menino do MEP: a Folha de S.Paulo “estupra” o seu Manual de Redação
- Termômetro do emprego e da naturalização do racismo
- É chegada a hora da reeducação de Caetano Veloso
- Aécio entre tapas e beijos
- E se Lula lançar Palocci à presidência?
- O Estado deve manter assessorias de comunicação?
- Brasil investirá US$ 332 milhões em rodovia boliviana
- Serra na presidência preocupa argentinos
- Indicação de Shannon para embaixada é sinal do prestígio do Brasil
- Jornal paraguaio espera que Lula “não suborne” Lugo na questão de Itaipu
Categorias
- Acordos Internacionais (3)
- Crise (2)
- Defesa (1)
- Do outro lado da fronteira (5)
- Febeami (3)
- Mídia (7)
- Obras Públicas (3)
- Política (11)
- Relações Exteriores (3)
- Sociedade (6)
- Sucessão de Lula (6)
- Uncategorized (91)
Arquivos
- novembro 2009
- outubro 2009
- setembro 2009
- agosto 2009
- maio 2009
- abril 2009
- fevereiro 2009
- janeiro 2009
- dezembro 2008
- novembro 2008
- outubro 2008
- setembro 2008
- agosto 2008
- julho 2008
- junho 2008
- maio 2008
- março 2008
- outubro 2007
- setembro 2007
- abril 2007
- fevereiro 2007
- dezembro 2006
- novembro 2006
- outubro 2006
- setembro 2006
- agosto 2006
- julho 2006