Nutricionistas querem enfiar lei goela abaixo

O jornal A TARDE publicou esta semana uma matéria sobre a possível obrigatoriedade de contratação de nutricionistas por bares e restaurantes de Salvador. A idéia lançada pelo conselho de classe da categoria, logicamente, prevê que todo e qualquer estabelecimento soteropolitano que comercialize alimentos e bebidas esteja obrigado a manter um profissional da área, com salário mínimo de R$ 1.200. Os defensores da medida alegam que assim haverá controle sobre a qualidade dos alimentos servidos à população.
Seria mais honesto que o conselho dissesse que essa é a única maneira de dar de comer aos profissionais que anualmente saem das 11 faculdades de nutrição no Estado da Bahia, seis delas em Salvador. Tudo bem, emprego está difícil. Mas querer empurrar a conta para os bares e restaurantes é covardia. Qual a utilidade de um nutricionista numa lanchonete de fast food? Ele vai avalizar o consumo de bacon e batata frita? Nos Estados Unidos, existe uma cadeia de restaurantes chamada Heart Attack Grill (algo como a lanchonete do ataque do coração), que vende um sanduíche com quatro hambúrgueres e quase oito mil calorias). Como seria o trabalho de um nutricionista em um lugar desses?
Se aprovada uma lei nesse sentido, diríamos que por extensão todas as baianas de acarajé deveriam ter ao seu lado um nutricionista, que olharia para a cara do cliente e decidiria se ele deveria comprar abará ou acarajé, com ou sem camarão. Já estou vendo a fila crescendo, com cardiologistas reivindicando um lugar ao sol, quer dizer, ao lado do tacho de dendê. É realmente impressionante a capacidade de certas categorias profissionais de querer legislar em causa própria.
Por que deveríamos ser obrigados a lidar com corretores de imóveis se temos a chance de fechar negócio diretamente com o proprietário? Por que para ser corretor é obrigatório o registro no Creci? Por que quando se move um processo trabalhista é preciso pagar honorários a um advogado, mesmo tendo a certeza da vitória na justiça? Muita gente é contra a intromissão do Estado na economia, desde que isso não prejudique seus interesses.