Aeroporto Dois de Julho. E ponto

Bastaram um editorial de um jornal carioca e alguns discursos no Senado Federal, contra a revogação do atual nome do aeroporto de Salvador, para que o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, baixasse o tom quanto a sua disposição em fazer prevalecer o nome histórico do Aeroporto Dois de Julho. Pois mais do que uma birra anticarlista do futuro mandatário, como propõe o jornalista Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, a volta do nome original é uma demanda de parcela significativa da sociedade baiana, que não tolera o fato de que um equipamento público batizado em homenagem à principal data cívica do Estado, a Independência da Bahia, tenha sido renomeado em honra de um político morto que, independente de suas qualidades parlamentares, não representa nem de longe para o povo baiano o que significou a expulsão definitiva dos portugueses, quase um ano após a Independência do Brasil.
Explicar isso para quem vive na Bahia é desnecessário. Mas para alguns políticos e jornalistas de outros Estados, que vivem em um universo particular, longe do real sentimento das pessoas comuns, faz sentido a bajulação a um senador que diz amar a Bahia acima de todas as coisas, mas não hesita em renegar a história para enaltecer o filho perdido. Não foi o suficiente nominar de Luís Eduardo Magalhães uma avenida, um viaduto, uma fundação, um conjunto de escolas públicas e até mesmo desmembrar um próspero distrito de Barreiras para que, emancipado, recebesse o nome do filho do senador. Era preciso que o aeroporto, em vias de ser modernizado, ostentasse o nome de Aeroporto Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães. Típico de uma província. O conterrâneo fictício Odorico Paraguaçu não teria feito melhor. Na Sucupira da vida real, não se penou para conseguir inaugurar um cemitério, à escassez de mortos. Mas o salão de velórios do Campo Santo foi providencialmente ornamentado com mármore, a fim de se tornar digno do defunto ilustre.
Não se deve esperar muito empenho do governador eleito para que o aeroporto volte a ser Dois de Julho. Até porque, por algum motivo que só os políticos conhecem, ele votou a favor da homenagem a Luís Eduardo. Nem mesmo a mídia local se posiciona, não ousa contestar. A esperança é que haja uma reação popular pela mudança, como houve recentemente quando os nobres parlamentares ignoraram o País e resolveram reajustar em 91% os seus salários. Ou a “Revolta do Buzú”, quando a Prefeitura de Salvador permitiu a elevação da tarifa para R$ 1,50, na gestão passada.