White power, black power? No, human shame

Episódios recentes, no Brasil e em outros países, envolvendo a cor da pele ou a suposta diferença racial levam a pensar que, antes de ter orgulho de ser negro, branco, índio ou amarelo, uma pessoa de bom senso deveria estar envergonhada de sua condição de ser humano.
O caso mais rumoroso de exaltação racista veio da boca de um geneticista estadunidense, vencedor do Prêmio Nobel, que declarou na Inglaterra a inferioridade intelectual dos africanos em relação aos europeus e, por extensão, aos brancos que se espalharam pelo mundo.
Sem apresentar qualquer dado científico, James Watson declarou que “qualquer pessoa que tenha convivido com empregados negros” sabe das suas limitações intelectuais. A instituição que convidara o geneticista racista para uma palestra cancelou o evento afirmando que as declarações do cientista foram além do tolerável. Uma escritora inglesa Sue Blackmore, então, publicou em seu blog no jornal Guardian um artigo em protesto contra a decisão, com o título “Não silencie os cientistas”.
No Brasil, o site Terra Magazine publicou uma matéria em que o ex-vice presidente do Grêmio acusou o presidente do time de racismo, por se dirigir a quatro homens negros, parentes do vice que foram ao estádio, como se fossem seguranças. Ao se defender, o presidente do Grêmio, Paulo Odone, disse que era um absurdo ser chamado de racista, pois seu motorista é negro e também a senhora que toma conta dos seus filhos é negra.
Nos Estados Unidos, em duas universidades houve hostilizações raciais que culminaram com a colocação de cordas de enforcamento em ambientes que tinham sido visitados por negros, uma professora em Nova York e um estudante em Jena, Louisiana, região tradicionalmente racista, onde seis rapazes negros foram presos após agressão física a um branco. A justiça considerou que os brancos que colocaram as cordas não poderiam ser processados, pois não haveria legislação específica sobre o assunto.
Um rápido giro pela internet mostra que raça de gente somos. Hutus e Tutsis em Ruanda, árabes na França, nordestinos no Sudeste, turcos na Alemanha, latino-americanos na Espanha, curdos entre o Iraque e a Turquia, judeus ortodoxos que oprimem palestinos e que, agora, sofrem em seu próprio país agressões de imigrantes russos neonazistas (alguns deles judeus). Um nazi arrependido de São Paulo declarou ao jornalista Roberto Cabrini que existem células neonazistas em São Paulo, na Região Sul e, pasmém, na Bahia! O preconceito faz crer que só pode ser no oeste baiano. Muita plantação de soja transgênica…