Sobre a rejeição ao personagem de Lázaro Ramos

O personagem principal da principal novela exibida no Brasil atualmente tem todos os elementos para ser um vilão: é rico, bem sucedido, egoísta, sai com algumas das mulheres mais lindas do Rio de Janeiro e se orgulha de não dormir com uma mesma garota duas vezes.

A fórmula é repetida à exaustão na TV e normalmente o público acompanha a história com enstusiasmo aguardando o momento em que algo acontece e muda o destino do personagem. Foi um desses papéis que consagrou como galã o ator Wagner Moura, que logo depois conquistaria definitivamente o público com o filme Tropa de Elite.

No começo de 1989, quando o Brasil se preparava para eleger pela primeira vez um presidente depois de 21 anos de ditadura militar, o país inteiro parou para discutir quem havia matado Odette Reutmann, a personagem de uma empresária que vivia em Paris, odiava os trópicos e costumava tratar com desprezo todos à sua volta.

Mas algo mudou no país das novelas. De acordo com informações publicadas por websites que acompanham o mundo das celebridades no Brasil, o jovem André, interpretado por Lázaro Ramos, não está agradando ao público. Pesquisas feitas com a audiência mostrariam que quem assiste “Insensato Coração”, não está tão interessado em saber o que vai acontecer com o rapaz.

Não é a primeira vez que Ramos tem um papel de destaque. Em 2006, ele foi protagonista da segunda entre as três novelas que a TV Globo exibe a cada noite, em um horário em que as histórias são tradicionalmente mais divertidas e menos densas do que a terceira.

Nesse contexto, ele ganhava a simpatia dos brasileiros interpretando um simpático malandro que alcançava a riqueza e que formava o par romântico com Thaís Araújo, também negra, que mais tarde viria a ser sua mulher na vida real.
Mas, cinco anos depois, a sua estreia como galã de uma “novela séria”, não causou a mesma empatia com o público, segundo essas tais pesquisas. Nenhum relatório foi publicado informando o que exatamente não está agradando ao público, se é a novela como um todo ou apenas os personagens principais.

Mas os dois primeiros comentários de leitores do site do jornalista Sidney Rezende sobre o tema dão algumas pistas. A primeira pessoa a se manifestar acusa o autor da novela de tentar forçar a barra ao insistir em Ramos como um galã que, segundo a leitora, ele não é.

A outra pessoa a comentar destaca a questão do racismo e justifica assim a sua rejeição ao personagem. “Em uma das raras vezes que um ator negro consegue destaque em uma novela de horário nobre, em um pais racista como o Brasil, ele é colocado como um perfeito imbecil,cafajeste,insensível e podre, conseguindo apenas transar com mulheres maravilhosas e brancas por ser rico,isso e repugnante para nós negros.”
Curiosamente, foi um diretor de cinema do Rio Grande do Sul, Estado onde há pouquíssimos negros, quem primeiro colocou Lázaro Ramos como protagonista de seus filmes. Em O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara e Saneamento Básico, todos de Jorge Furtado, a cor da pele dos seus personagens tinha pouca ou nenhuma importância nas tramas.

Os personagens fariam as mesmas coisas se fossem interpretados por atores brancos. Mas, ao que parece, um homem negro agindo como ser humano médio da elite carioca não é algo que agrade nem a brancos nem a negros.