Você pode imaginar o técnico Falcão gritando “Bora Baêa, minha p…”?

Falcão ainda vai gritar: BBMP!! Foto: Felipe Oliveira/Bahia/ Divulgação

A torcida do Bahia está em lua-de-mel com o time, que há muito tempo não liderava um campeonato assim com tanta folga (oito pontos à frente do vice-líder), tem o melhor ataque da competição e um dos artilheiros. Pela primeira vez em 10 anos, o tricolor é o favorito a conquistar o título.  Souza fazendo gols em quase todos os jogos, o jovem Gabriel mostrando que quer fazer história e Rafael Donato e Titi segurando a defesa.  Mas a nação está mesmo apaixonada é pelo treinador.

No site ECBahia, o mais elegante dos técnicos em atividade no Brasil já vem sendo tratado como “Rei da Roma Negra”, uma atualização do título recebido nos tempos em que brilhava no meio campo da Roma.  Em poucos dias sob seu comando, o Bahia virou um time elegante, que joga com desenvoltura e que enche a torcida de orgulho. Pena que o uniforme tricolor não é mais produzido pela italiana Lotto. O design da Nike é a única coisa “deselegante” no Bahia atual, como diria Sandra Annenberg.

Nesta quarta-feria (29), após um show de bola e um memorável 5×1 sobre o Camaçari, em Pituaçu, Falcão ouviu pela primeira vez a torcida gritar o seu nome. É um tipo de torcedor diferente do de sua terra natal, Santa Catarina, do gigante da Beira-Rio, onde ele conquistou o Brasil, e do seus tempos de Itália. A torcida baiana, e a do Bahia mais especificamente, é distinta de tudo o que ele já deve ter visto nos estádios.

Um torcedor cuja informalidade se assemelha mais a personagens folclóricos, como Joel Santana. É um time que traz em sua história as porradas de Beijoca, as frases mal construídas de Baiaco, as correrias alucinadas de Naldinho pela lateral direita do gramado, os “trabalhos” de Lourinho, o radialista Zerbini, em terno e gravata, correndo pelo campo segurando um atleta pelo braço para apresentá-lo à torcida.

O novo treinador não se encaixa nessas imagens. Ele lembra Kleiton e Kledir cantando “que saudade da Redenção, do Fogaça e do Falcão”.  Mesmo com todo o entusiasmo da torcida com o futebol apresentado pela equipe, o “Rei da Roma Negra”, mostra-se comedido, enaltecendo o empenho de todo o elenco e avisando que nem sempre o time vai ganhar. É a sua elegância nada sutil. Mas já sentiu o arrepio de ouvir a nação tricolor gritar o seu nome.

Temos que admitir que Falcão não combina muito com a baianidade. Mas fica a vontade de que em pouco o tempo, o treinador se apaixone pelo clube e deixe sair o grito: Bora Baêa, minha p…” Mesmo que depois ele recolha rapidamente o braço e coloque a mão sob o queixo, em tom professoral.