Perfil: Waldir Pires

Advogado formado pela Ufba, Francisco Waldir Pires de Souza protagonizou a política baiana e nacional desde que ocupou o cargo de Consultor-Geral da República, em 1963, durante o governo João Goulart, onde permaneceu até o golpe militar em 1964. Cassado pelo regime, exilou-se com a família no Uruguai e depois na França, de onde retornou em 1970, mantendo-se afastado da política até a revogação do Ato Institucional 5 (AI-5). Principal antagonista de Antonio Carlos Magalhães desde 1954, quando ambos se elegeram deputados. Waldir pelo antigo PSD e ACM pela UDN.

Com a reabertura política no final da ditadura militar, ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido pelo qual concorreu ao Senado em 1982, tendo sido derrotado por Luiz Vianna Filho (PDS). Quando o MDB venceu as eleições presidenciais em 1985, por voto indireto, foi convidado por Tancredo Neves para assumir o Ministério da Previdência Social. Sarney, aliado político de ACM, que assumiu a presidência com a morte de Tancredo manteve Waldir no cargo.

Um ano depois, elegeu-se governador da Bahia impondo a ACM a derrota do seu candidato Josaphat Marinho, com uma derrota por mais de um milhão de votos de frente. Em 1989, deixa o governo para concorrer à vice-presidência na chapa encabeçada por Ulysses Guimarães, deixando o governo da Bahia nas mãos do vice, Nilo Coelho. A chapa Ulysses-Waldir fica em sétimo lugar na primeira eleição direta após a redemocratização e Waldir sofre enorme desgaste político após a sua renúncia.

A aproximação do PMDB com setores da direita nacional, incluindo ACM, levou Waldir a migrar para o PDT, pelo qual se elegeu deputado federal em 1990 com a maior votação para o cargo na Bahia até então. Quando o PDT de Leonel Brizola anunciou apoio ao governo do presidente Fernando Collor, mudou-se para o PSDB, partido pelo qual concorreu a uma das duas vagas para o Senado, com ACM e Waldeck Ornelas, carlista de pouca expressão política. Os três obtiveram votação parecida, na casa dos 2 milhões de votos, mas Waldir perdeu a vaga por uma diferença de 3 mil votos em uam eleição marcada por suspeita de fraude.

A aproximação entre o PSDB e o PFL de ACM, no governo Fernando Henrique, levou Waldir a mudar outra vez de partido, ingressando no PT. No primeiro mandato do Presidente Lula, assumiu a Controladoria Geral da União, implementado uma rotina de fiscalização das contas públicas. Em 2006, a pedido de Lula, assumiu o Ministério da Defesa, do qual saiu desgastado após a crise do setor aéreo, que deixou no governo a imagem de má gestão, embora a queda de uma avião da TAM, que provocou 200 mortes, tenha sido motivada por problemas na aeronave e não por falhas na operação do sistema, como os meios de comunicação chegaram a ventilar.

Curiosamente, na mesma semana em que Waldir deixou a vida pública, ACM, o seu grande rival na política, morreria em decorrência de uma parada cardíaca.

Francisco Waldir Pires de Souza

Profissão: advgado

Nascimento: 21/10/1926, Acajutiba, BA