Ex-sócio do bar French Quartier pergunta: onde está a cidade da música?

Gilson Jorge

Uma oportunidade de trabalho na Costa do Sauípe trouxe a Salvador, em 2004, Douglas Eugene Adair, um especialista em marketing com atuação no setor de turismo, que desde a infância está envolvido com a música. E que durante a juventude, nos Estados Unidos, tocou em eventos universitários com a presença de Johnny Cash, James Taylor e Willie Nelson. Instalado na Bahia, foi convidado a ser sócio do French Quartier, bar que fez a alegria dos fãs de jazz e blues no Jardim dos Namorados, na virada do milênio.  “A casa tinha uma reputação boa. Mas perdia muito dinheiro.” Ex-sócio de um bar de blues em Chicago, Doug percebeu que a charmosa casa noturna da orla de Salvador não iria adiante.

A volta ao empreendedorismo na música veio há dois anos, após um longo período se dedicando a atividades empresariais por aqui e na América do Norte. Por sugestão de um conterrâneo que tinha um imóvel disponível no Porto da Barra, onde funcionava uma lanchonete, abriu em outubro de 2014 o Hot Dougie’s Rendevouz. A ideia era ter um local onde os clientes todos ficassem em uma grande mesa, em torno dos músicos, e pudessem interagir. O plano, entretanto, é ampliar. Dougie sonha em ver todo o Porto da Barra transformado em uma área de pequenas apresentações musicais, acústicas, como acontece em grandes cidades do mundo.

“Salvador é uma cidade da música, reconhecida pela Unesco, mas quase não há espaço para  que músicos talentosos sejam vistos”.  Mardou Manzel, Gigito, Maurício Guimarães,Daniel Iannini, Janela Brasileira e Subindo a Serra são presenças constantes no bar, mas precisam disputar a atenção da audiência com outras sonoridades urbanas, como o o barulho do trânsito e às vezes o caminhão do lixo, que aparece no local, uma zona de bares e restaurantes, às 21h.  “Em outras cidades da música, como Nova Orleans, San Francisco, Barcelona e Chicago, você tem gente tocando na rua o tempo todo”.

Doug tem conversado com autoridades municipais para tentar impulsionar seu projeto. “Eles estão muito ocupados. Tem a programação do Réveillon, o Carnaval, acabaram de abrir dois museus na Barra. Uma amostra do que ele pretende  acontece  neste fim de semana, com o Independence Daze, ou transe da independência, uma série de 13 apresentações entre sábado e domingo,  celebrando a Independência da Bahia (2) e a de seu próprio país (4). Na programação, um tributo a Johhny Cash, por Nancy Viegas e Tadeu Mascarenhas, e Samba na Mesa, com Lula e os Marinheiros. Além do lançamento do CD Doug e os Estrangeiros. “Conseguimos licença para um pequeno palco, na calçada”

O microclima do Porto da Barra, um dos melhores da cidade, segundo Doug, é um dos fatores que o seguram em frente àquele pequeno pedaço de praia. E o estadunidense também enaltece o fato de que no Brasil, ainda, não há terrorismo e ataques violentos de cunho religioso, além de os baianos terem música no DNA, conforme sua definição. “Aqui se toca por prazer. Em muitos outros lugares, os músicos estão o tempo todo preocupados com o relógio”

Marco inicial da cidade, o  Porto da Barra, ganhou uma canção em sua homenagem do músico estadunidense. “Salvador é um lugar especial, cheio de história. Na época da Independência dos Estados Unidos, a cidade era a capital do Brasil”.  No último dia 1º de junho, a cidade recebeu formalmente da Unesco o título de Cidade da Música, juntamente com Kingston (Jamaica), Medellín (Colombia), Liverpool (Reino Unido), Adelaide (Australia) e outras cinco cidades, dentro da lista de cidades criativas que a entidade homologa periodicamente.

Para saber mais sobre o Independece Daze, procure a página do Hot Dougie’s Rendevouz no Facebook