Os próximos passos de Isaura Tupiniquim

Quando a conheci, na livraria Boto-Cor-de-Rosa, há poucos meses, me dei conta de que tínhamos alguns amigos em comum. Sarah, a dona do estabelecimento, nos apresentou e depois me indicou o seu nome como uma pessoa legal para entrevistar, pois estava sempre envolvida em projetos interessantes. Aos poucos, fui percebendo que já tinha visto Isaura em diferentes produções.

Fui assistir Para Além dos Seios, a convite de Ivana Chastinet, e a moça era uma das protagonistas do filme de Adriano Big. Depois da exibição,  nos vimos na escadaria da Sala Walter da Silveira. “Não sabia que você estava envolvida”, disse-lhe.

Finalmente, marcamos a entrevista e…espera….era você uma das backing vocals do show em homenagem a Fausto Fawcett junto com EdBrass Brasil e a menina do antigo café da Walter (Paula Carneiro Dias)? Eu passei semanas com o refrão “bicha do mal, disseminando o babado errado” na cabeça, depois da apresentação no Espaço Cultural da Barroquinha.

E Isaura era uma das que cantavam isso, no Re-Montando Fawcett, que está à espera de oportunidades para voltar à cena.E ainda tinha feito as performances de Extravaganza, com Suzanne Xavier, que eu quase fui ver no Lalá.

Mestre em dança pela Ufba, Isaura está envolvida com um sem número de projetos culturais, como o infantil Desastro, de Neto Machado, em que cinco artistas interpretam versões da música Space Oddity, de David Bowie. “É um universo de fantasia dos super-heróis, com essa carga da presença de Bowie.” A próxima apresentação vai ser 5 de outubro, no Sesc do Pelourinho.

Antes disso, dias 19 e  20 de setembro, também na Barroquinha, Isaura participa do projeto Looping, um espetáculo baseado nas festas de largo de Salvador, que é um “estudo do tempo”, segundo definição de seus realizadores, o diretor teatral Felipe Assis, a pesquisadora de dança Rita Aquino e o dançarino e coreógrafo Leonardo França.

A formação de Isaura é a dança contemporânea, mas ela se move por diferentes terrenos. No espetáculo solo Entrada ao Preço da Razão, em que interagia com uma estrutura metálica, a dançarina procurou retratar um corpo preso ao sistema, mas que consegue manipulá-lo. A obra foi construída a partir de duas referências literárias, Na Colônia Penal, de Franz Kafka, e o Lobo da Estepe, de Hermann Hesse. Com o solo Fricção, em que explora as tensões entre a guerra e o erotismo (esse, uma presença constante em seu trabalho), ganhou o Prêmio Viva Dança.

Mas Isaura não fica presa à estrutura metálica e, apesar de relutar em se anunciar como performancer, a interpretação tem um peso fundamental em seu trabalho, seja no solo Opera Nuda, em que lida com a noção de excessos, ou nos trabalhos colaborativos, com os amigos Suzanne, Paula, Edbrass…e felicidade maior é quando consegue se meter em um projeto cênico que envolva viagens. Aí, a menina dança.