Prioridade para idosos: a confusão nas lotéricas no início de cada mês

Cerca de 20 pessoas aguardam na fila da lotérica, dentro de um shopping, torcendo para que quem está sendo atendido em um dos três caixas disponíveis saia logo. Pagamento de boletos, contas de luz e água, loteria.

No caixa preferencial, um senhor começa a brincar com a criança  no colo do homem que está à sua frente. Ele seria o sétimo a ser atendido. Quando está em quinto lugar, seu humor e a firmeza do corpo, que aparenta mais de 80 anos, não são os mesmos.

Ele tropeça em sua própria perna e, mareado, quase cai. Se agonia com a demora em ser atendido em parte para dentro da lotérica sem se importar qual vai ser o caixa, quer que seja sua vez. Outros dois idosos repetem seu gesto e se instalam à frente dos caixas gerais.  Querem ser atendidos já.

Uma moça, menos de 30 anos,  com uniforme de loja de presentes se desespera. “Estou em meu horário de trabalho. Já vim duas vezes mais cedo pagar a conta e o sistema estava fora do ar”, argumenta em voz alta, iniciando uma discussão sem um interlocutor definido.

Uma senhora que acabara de ser atendida, para à sua frente e começa a discorrer pacientemente, em tom professoral, sobre a prioridade garantida por lei.

A jovem rebate. “A lei diz que tem que haver um caixa preferencial”.

“Não, a prioridade é que o idoso seja atendido”, retruca a septuagenária. A discussão segue por alguns minutos.

Os atritos são mais frequentes nos primeiros dias de cada mês, quando sai o salário e há uma infinidade de contas a pagar.

Um problema que tem gerado diferentes reações. Uma lotérica no centro afixou um cartaz lembrando que envelhecer é o destino de todos.  Outra lotérica preferiu criar três filas, uma de prioridade, uma geral e uma exclusiva para jogos.  Mas resolver mesmo as discussões, ainda não se resolveu.